Ao longo de mais de três décadas, o Prêmio Multishow deixou de ser apenas uma celebração televisiva da música pop para se consolidar como uma das principais plataformas de reconhecimento da indústria musical brasileira. Criado em 1994, o evento acompanhou — e muitas vezes antecipou — transformações profundas no consumo de música, na forma de premiar artistas e na representatividade dos gêneros que moldam o cenário cultural do país.
Das origens ao protagonismo nacional
Nos primeiros anos, ainda sob o nome Prêmio TVZ, a premiação estava diretamente ligada à programação do canal Multishow, com foco em videoclipes e na popularidade dos artistas junto ao público jovem. A lógica era simples: quem mais se destacava na televisão conquistava maior visibilidade e, consequentemente, os prêmios.
Com a mudança de nome para Prêmio Multishow de Música Brasileira, no fim da década de 1990, o evento passou a ampliar seu escopo. A música deixou de ser observada apenas pelo viés do videoclipe e passou a ser analisada como produto artístico, cultural e comercial, com categorias que contemplavam shows, álbuns e performances ao vivo.
Expansão de gêneros e diálogo com o mercado
Durante os anos 2000, o prêmio acompanhou a diversificação do mercado musical brasileiro. Ritmos como sertanejo, pagode, axé, rock nacional e MPB passaram a dividir espaço com maior equilíbrio. O crescimento do evento refletiu o momento da indústria, que vivia a transição do CD para o digital, e utilizava a premiação como termômetro de relevância artística e popularidade.
Nesse período, o voto popular era o principal motor da escolha dos vencedores, fortalecendo o engajamento do público e transformando o Prêmio Multishow em um dos eventos musicais mais assistidos da televisão brasileira.
A chegada da Academia e o fortalecimento institucional

A partir da década de 2010, o Prêmio Multishow iniciou uma mudança estrutural significativa com a criação de um júri especializado, posteriormente formalizado como Academia Prêmio Multishow. A inclusão de jornalistas, críticos musicais, produtores e profissionais da indústria trouxe mais peso técnico às decisões e buscou equilibrar popularidade e qualidade artística.
Essa virada marcou um novo momento da premiação, que passou a valorizar não apenas o alcance comercial, mas também a inovação, a consistência artística e a relevância cultural dos projetos indicados.
Diversidade como eixo central
Nos últimos anos, especialmente a partir da década de 2020, a diversidade tornou-se um dos principais pilares do Prêmio Multishow. A criação de categorias específicas para funk, música urbana, forró, piseiro, axé e outros gêneros populares evidenciou uma tentativa clara de representar de forma mais fiel o retrato sonoro do Brasil.
Artistas de diferentes regiões, estilos e trajetórias passaram a dividir o mesmo palco, reforçando o papel da premiação como espaço de visibilidade para movimentos que, historicamente, ficaram à margem dos grandes reconhecimentos institucionais.
A edição de 2025 como síntese dessa evolução

A edição de 2025 simbolizou esse processo de amadurecimento. A premiação reuniu tradição e contemporaneidade ao reconhecer nomes consolidados e, ao mesmo tempo, destacar artistas que dialogam diretamente com as novas formas de consumo musical. O protagonismo de gêneros populares e a valorização de projetos autorais reforçaram o caráter plural do evento.
Mais do que premiar sucessos do ano, o Prêmio Multishow passou a assumir um papel de registro histórico da música brasileira, refletindo tendências, transformações sociais e mudanças no comportamento do público.
Um espelho da música brasileira contemporânea
Ao observar sua trajetória, fica evidente que o Prêmio Multishow evoluiu junto com a música brasileira. De uma premiação focada em videoclipes e audiência televisiva, tornou-se um evento híbrido, que une voto popular, curadoria especializada e representatividade cultural.
Hoje, o prêmio funciona não apenas como reconhecimento, mas como um indicador de rumos, revelando quais sons, discursos e estéticas estão moldando o presente e o futuro da música no Brasil.






























